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E a madrugada choveu
Alessandro Bartel E
a madrugada choveu. E eu não dormi e também não vi a chuva. Só o
asfalto molhado e o cheiro da chuva. E o domingo ta com cara de outono.
Do jeito que eu gosto. Gosto de caminhar. E eu não tenho carro. E nem
quero ter, porque eu gosto muito de caminhar. Caminhar olhando pra
multidão sem rosto e para as construções antigas. E imaginar quanta
coisa não aconteceu por ali muito antes de eu existir. Eu tenho muito
que fazer, mas agora eu vou calçar meu tênis. E vou andar. Vou
atravessar a Avenida Higienópolis, subir a Angélica e me encontrar com
a Avenida Paulista. Centro de tudo. Atravessar a Paulista como sempre
faço. Olhando todos aqueles prédios altos e imaginar todas as decisões
que saem dali. Do interior daquelas janelas. Fotografar mentalmente
cenas urbanas. Gosto disso. Se tiver sorte ainda chove e eu vou tomar
um belo banho de chuva, iguais àqueles que a gente tomava quando
criança, desprovido de qualquer culpa. Não correr dos pingos de
chuva. Curtir cada gota e voltar pra casa. Porque no fim de tudo eu
sempre volto. Eu gosto dela. Da minha casa. E acho que ela também gosta
de mim
Esta obra está
licenciada sob uma
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