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O homem oco
Drika Nery
Um motoqueiro bateu de frente com um caminhão e voou por sobre os carros que brincavam de estátua na pista expressa. Antes de tocar o solo, abriu asas e foi com o vento imitando pássaros improváveis.
Seus movimentos recém descobertos pareciam calculados e obedeciam a um ritmo lânguido. Muitos abandonaram seus automóveis e seguiram a pé sua coreografia pelo ar. Quando ele furou a névoa de poluição e desapareceu em cinza, a noite caiu súbita.
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