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Fabiana Vajman diz que é atriz e já vai pra 17 anos que ela diz isso aí.
Escreve em seu blog - o terceiro, já - mas só de vez em quando.
Seu livro de cabeceira é O Pequeno Príncipe e seu grande sonho é a Paz Mundial.
Jura que come de tudo e mantém a forma percorrendo a cidade em ônibus lotados.
Acha que tem um filho, mas não sabe onde ele está. Acha que só tem um.
E espera mesmo que seja só um. |
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Carollaynny
Fabiana Vajman
Passei um dia desses numa fila de espera da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - Misericórdia?
Um lugar terrível do começo ao fim, mas resolvi me "Pollyannar" naquele lugar e fazer amizade com uma garotinha vestida de cor-de-rosa dos pés a cabeça. Ela devia ter uns quatro anos e a gente sabe que essa loucura pela cor mais feia do mundo ainda vai durar alguns anos, então claro que usei o tema pra puxar assunto com ela.
Se aproximar de uma criança estranha requer muita técnica. Falar sobre "Garota de rosa Shocking" não ia dar certo. Mas eu tenho lá minhas mumunhas. Depois de alguma intimidade, as apresentações: ela se chama Carollaynny (Carollaynny!!! A mãe me confirmou o nome e me ensinou a escrevê-lo, crente de que eu o colocaria numa filha minha). Papo vai, papo vem, ela me pergunta o que eu quero ser quando crescer. Inútil explicar a ela que eu não vou mais crescer. Disse a ela que quando crescesse queria ser atriz. Ela me perguntou se o meu celular tinha algum joguinho. Perguntei como ela sabia que eu tinha celular. "Todo mundo tem celular", ela me diz com os olhos mais puros do mundo. Linda.
Mostrei o joguinho que é a razão da subtração de várias horas do meu dia: um pseudo Mario Bros empurra caixas e as arruma de acordo com as cores, fazendo desaparecer linhas e linhas de caixas e acumulando pontos que depois você troca por porra nenhuma. Disse a ela que eu não quero ser empurradora de caixas quando eu crescer, aproveitei e perguntei o que ela gostaria de fazer. Tudo muito natural, sem aquele tom de quem está tentando ganhar a confiança das crianças com perguntas pra lá de irritantes: "Quantos anos você tem?" ou "Qual o seu nominho?" e finalmente: "O que quer ser quando crescer?"
Ela me respondeu: "quero lavar pratos". Assim, sem frescura, direta, sem rodeios.
Fui pra casa louca pra lavar os meus pratos.
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