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Se mexa
Luisandro Mendes de Souzal
o chão queima sob nossos pés até
que o que temos sob
nós é um chão de brasas
e nós nos movemos
constantemente
estamos aqui ali lá
amanhã quem sabe
ciganos sem raiz
sem laços ou cores em nossos olhos
apenas essa sede de se mover
e nós vamos
vamos porque aqui não é o nosso lugar
vasculhamos a terra somos
isso
somos
andamos queremos ser achados
e achar ali
ou mesmo lá adiante
um regaço
um cansaço
um dia feliz
um dia triste
uma memória
e nós vamos
nós corremos porque o chão já
é brasa calor e necessidade
ele urge nosso sangue
nosso suor
nossas lágrimas
nossos pentelhos
nossos desejos
o chão nos come a carne
e quer mais
ele sempre quer mais
e nós vamos
porque é só isso que nos resta
já que as memórias
foram todas comidas.
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