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Me Morte
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Me Morte, pseudônimo Mariângela, gaúcha dos pampas, de família pobre, neta de italianos e espanhóis, desde os cinco anos de idade já dizia que seria escritora.

     Poetisa gótica há dois anos, enveredou pelos caminhos do erotismo, estilo que já se tornou sua marca registrada.

          No Orkut é moderadora do Vale das Sombras, comunidade onde realiza Concursos de poesias Góticas periodicamente.

     Principais características: Arrojada, misteriosa e passional. .

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Me Morte
-A senhora reconhece algum deles? O detetive apontou através do vidro: Seis homens enfileirados. Rosa estava segurando o choro enquanto olhava atentamente, um a um. 
 
 
 
 

-O terceiro.

-Tem certeza?

-Olha certeza, certeza, eu não tenho. Sofro de miopia, não vejo bem de longe. Eu tenho certeza que os outros não são, a pele era morena como a do terceiro.

-Hum... O policial coçou a cabeça e disse ao colega: Traga o rapaz aqui, o terceiro, vede os olhos dele para que não veja.

-Não. Não precisa. Deixe ele me ver. Quero que saiba que fui eu. Não me importo. Trouxeram o rapaz e a moça apoiou o braço na parede, estava enojada, levou a mão à boca.

-Está se sentindo bem? Quer um copo d”água”? O policial percebeu sua súbita palidez.

-Não. Não precisa obrigado. Abaixou o rosto e vomitou no canto da sala.

-Por favor, Dona Rosa, diga logo e retiro o meliante, assim se sentirá melhor. Reconhece o pedófilo que estuprou sua filha?

-Não.

-Não?

-Não é ele. Tenho certeza. Saiu em direção à porta e quando passou ao lado do rapaz, parou e olhou bem nos seus olhos. O rapaz virou de costas, não queria que ela mudasse de idéia. Dona Rosa, como se tivesse planejado, o abraçou por trás enquanto, ao mesmo tempo e sem piedade, enfiou fundo uma faca afiada em seu coração. As mãos juntas, firmes, não desprendiam, por nada. O sangue jorrava junto aos gritos do bandido, os policiais tentando tirá-la e a lâmina fundo, contraindo toda musculatura do corpo que estrebuchava.

-Tira ela... Solta! Num tranco tiraram Dona Rosa e a faca ficou lá, cravada fundo enquanto o rapaz agonizava no chão da sala. Dona Rosa segurou o peito e num segundo viu tudo escurecer. Enfartou ali mesmo.
 
 
 
 
 

Enquanto faziam os primeiros socorros, a mulher abriu os olhos e sussurrou:

-Perda de tempo, eu vou morrer.

-Não. A senhora tem que reagir, fique calma. Teve uma parada cardíaca e o médico de plantão teve que usar o desfibrilador. Por sorte tinha comprado um na semana passada depois que um policial falecera por demora no procedimento.

-Ela voltou... A senhora vai ficar bem, vamos levá-la ao hospital.

-Não... Deixe-me morrer. O pulso estava fraco. O policial disse:

-Dona Rosa, o pedófilo está vivo não morreu. Ele escapou e a senhora também vai viver. Ela abriu os olhos a procura do infeliz e começou a reagir.

-Pronto. Apliquei um sedativo, agora a levem ao hospital. Por que disse que o cara estava vivo? Ele já agonizou faz tempo.

-Ela reagiu não foi?    
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