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Cavana |
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| Daniel Cavana (Daemon
Boy). Biólogo e escritor. Trabalha com estudos de conservação da
biodiversidade e escreve por uma necessidade compulsiva de gritar.
Autor na coletânea Brothers Cactus, Contistas da Roosevelt. |
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Serpente
Daniel Cavana Conforme
avançava nas sendas sentia a lasciva serpente crescendo enrolada em
algum ponto abaixo. Pronta a subir deslizando. Apontava o olhar ao
horizonte e caminhava sem fixar um pensamento sequer. Controlava os
redemoinhos de fúria que insistiam em aflorar quando passava por uma
injustiça. Descartava dessa forma a dama cega com sua balança mítica
criada pelos homens. Preferia as florestas insondáveis por onde andavam
panteras devoradoras de desejos. Onde predadores injustos saciavam sua
fome ao primeiro erro.
Perdeu-se no deserto tórrido que o rugido
de seus pensamentos varriam do horizonte cada vez que queria chorar.
Contemplava as negras nuvens carregadas que lançavam seus raios para as
profundezas de sua alma. Descartando céus e infernos a cada novo ciclo
que pretendia vislumbrar. Como espectro vagou quando a luz o tocou.
Bradava pelos cantos frios do norte palavras de revelação. Anteviu o
caos, sem retorno ao paraíso.
Sobre a cripta santa bradou a
carnalidade dos deuses e foi amaldiçoado. Como se véus caíssem como
folhas secas no outono um a um seus amigos o abandonaram. Louco, diziam
os mais afetuosos, herege os mais radicais. Antropomorfistas chamava-os
pelos cantos. Não veriam versículos à hora de Mrtyukala. Olhou a
natureza a seu redor reconhecendo apenas a energia que fluía. Tudo
atraindo ou repelindo energias através de escolhas momentâneas, através
de caminhos trilhados. A razão sem consciência. A existência humana
reduzida a frases feitas de amor e ódio. A necessidade como finalidade
suprema.
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