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A falta que o silêncio faz
Daniel Faria O carro olhos-reluzentes-onça-paluá
(Com o poeta por dentro
Dos parênteses fumê)
Estaciona, para o gozo das normalistas
Na cabeça do poeta
Que proclama
50 e tantos anos depois
O manifesto inaugural
De um movimento que marcará (marcou)
A literatura brasileira.
O poeta não
Sente, mas os aplausos se quebram
Como vidro em seus ouvidos
Que guardam as vísceras
De um pássaro doente:
Ave do mau augúrio,
Decadência do sonho ocidental
Em solo brasileiro,
Enquanto as normalistas jogam
Bolinhas de não amassado
Em sua fronte consagrada:
É isso mesmo, meu chapa
O poeta sempre apaga o cigarro
Na coxa da boneca inflável
Esta obra está
licenciada sob uma
Licença
Creative Commons
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