
|
 |
|
|
| |
Pausa
Angela Oiticica
Ser errante
e de repente parar
nubla as trilhas do destino.
Continuar e continuar...
Tudo se desenrola tão de repente
Quando se vê passou
Estava assim naqueles momentos
quando a buzina na estrada chamou.
Terei de ir.
Não há espera, a volta que aguarde.
Adeus supermercados
cobranças
de gaz e luz
Para traz
choro de crianças
bocas insatisfeitas
fogões
colchões
adeus cobradores
de cartões
Adeus adeus
nem aguardem
Adivinhem
um sorriso rústico
me espera na
estrada
Muito longe
estarei guardado
qual ermitão
alado
voarei aqui e além
Adeus ainda direi
assim mesmo chamarão
Segunda
terça
nem na quarta e quinta
ouvirei
na sexta já me livrei
mesmo assim cobrarão
e o sol
qual tição
queimará
todo o segredo
vomitando a
paixão
Nada sabem
onde irei
já nem me
lembrarei
que toquem
o telefone
que berrem
xinguem
que cobrem
Leva-me trem
errante
para a estação
da luz
lá onde o coaxar dos
sapos
anunciam estrelas
suposições
e razões
Esta obra está
licenciada sob uma
Licença
Creative Commons |
|
|
|
|
|

|
|
|
|