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Tecendo arranha-céus
Angela Oiticica
O que tem dentro de mim
que não liberto
um cantar de borboletas sem fim
A dor circunspecta pressiona
duvidas curtas
e mentiras cegas
vindas de um mundo
sem cúpulas abóbora
sem jasmim
Assim vai indo
sem ser de bonde
o caminho
dos desabitados
Daqueles que não
reencontram
o compasso
de um verde
claro jardim
Me lembro
lá
bem distante
há um lago
que desfruta
rosas vermelhas
segredos de amores
mistérios cheios de cores
Tomo um destino
altissonante
me divirto
com arranha céus
que se desdobram
no céu
Há um sorriso
nestas chamas da alma
além das dores
no lugar dos amores
Pintar e bordar
sempre é
grande
quando olho
de relance o
jogo da amarelinha
onde pulo
lá na esquina
Assim penso
que as borboletas voarão
e o amanhecer
trará
o brocado
bem bordado
da alegria a sorrir
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