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The ballad of Sid & Nancy
Fabiano Calixto
Para Marília Garcia
não havia mais ninguém naquela longínqua
noite londrina (cabriolés e morcegos em só silêncio. as
árvores do inverno balbuciavam berceuses
e imagino que haviam esquilos em
algumas delas), era, pois, 1854.
sha-la-la
Bonzo vai a Pittsburg, mas não encontra
nada de estranho na ausência de
Nancy. Neblina, neblina, neblina – densas, gélidas.
não era mais 1854, nem eram
carruagens, mas sim automóveis. o ano: 1976 ou 1977.
nem eram mais talheres de prata,
mas, uma carta escrita com caneta azul,
com um grande N no verso,
na parte inferior direita.
uma fita Basf, corroída, sobre
uma caixa de sapatos velha (onde se via, também,
duas fotografias de uma menina
com suéter vermelho com um Mickey Mouse
de pelúcia atracado ao peito, num dia de sol
talvez nos Alpes suíços). na fita, apenas ruídos –
como de quem tivesse acabado
de ser derrotado por aquela
agonia de não poder nem perceber
o quão importante é
tomar café com solidão.
de lavar a louça por lavar.
– desespero,
apenas. ruídos
de sem dizer nada. ruídos.
sha-la-la
mas a polícia já estava no local, a fome
de alguém havia sido devastada
por uma caixa vazia de pizza,
a lâmina ruiva, a garrafa de leite
pela metade
a cama, um mar de sangue e silêncio –
só um bebê no local onde
a perícia coletava os átomos que balançavam no ar.
– quando pôde ler as palavras de
despedida de Nancy, que
agora estava em algum lugar em Kiev ou La Paz.
ou no sul da França. e aquele eu te amo, mas...
foi demais para o pobre Sid – que
(que?) talvez (talvez?) agora (agora?)
mixava os próprios urros em outra música
em outro cubo de aflição
enquanto, longe, os olhos de Nancy mentiam e
mediam
o Sena.
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