
| |
Home
| Júlio
Carrara |
| |
 |
| |
| Release |
| |
|
Nasci
em Sorocaba, interior de São Paulo, em 28 de novembro de 1976. Iniciei
minha carreira no teatro em 1989, mas o grupo em que estava se desfez e
em 1992 entrei para o Núcleo de Artes Cênicas do SESI de Sorocaba onde
integrei o elenco de "Anjos & Cowboys", de Gai Sang com direção
de Edeméia Pereira. Em 1994 ingressei na dramaturgia. Escrevi 24 textos
teatrais dos quais 12 foram encenados, entre eles "Conto de Verão", "O
Anjo Maldito" e "Catedral".No ano seguinte, 1995, fundei a Companhia
das Artes Dramáticas (CAD). Conclui em 1998 o Curso de Formação de
Atores ministrado pelo Setor de Artes Cênicas do Conservatório
Dramático e Musical "Dr. Carlos de Campos", de Tatuí. Atuei nessa
entidade em 12 espetáculos teatrais, destacando "Gota D’Água", de Chico
Buarque, "Bodas de Sangue", de Federico García Lorca e "Santa
Joaninha...", de Timochenco Wehbi. Leciono há quatro anos como
professor de Artes em escolas da rede pública estadual. Durante dois
anos trabalhei no Programa "Escola da Família", na EE "Prof.º Daniel
Verano" em Votorantim, onde ministrei um Curso Básico de Teatro. Desde
julho de 2003 estou em cartaz o monólogo "O Porta-Malas", de Sérgio
Roveri. O espetáculo já totalizou 100 apresentações e visitou diversas
cidades, entre elas: Sorocaba, Ribeirão Preto, Votorantim, Pilar do
Sul, Piedade, São Paulo, Rio de Janeiro entre outras.
Em 2005, o CAD transferiu-se para São Paulo e retoma na capital as
atividades iniciadas no interior com o infantil "Fui no Moinho
Buscar... Mó", de Gabriela Rabelo. Integrei o grupo Os Satyros da
Cooperativa Paulista de Teatro onde estive em cartaz com o espetáculo
"A Vida na Praça Roosevelt", de Dea Loher, dirigida por Rodolfo García
Vázquez, em sua primeira temporada.
|
|
Indique
este site
para os amigos

|
|
|
 |
|
|
| |
Baile de formatura
Júlio Carrara Teatro de imagens
Roteiro de: JULIO CARRARA
Escrita em 1997
PERSONAGENS: MOÇA RAPAZ IRMÃ DA MOÇA 2.º RAPAZ 2.ª MOÇA 3.º RAPAZ 3.ª MOÇA 4.º RAPAZ O BARMAN 6 RAPAZES
ÉPOCA: Atual
CENÁRIO:
Rotunda branca com uma abertura no centro. Atrás desta rotunda, um
tablado. Na frente deste tablado, no centro, uma escada glamourosa que
leva para a pista de dança, que fica no centro do palco. Na parte
central, à esquerda, está o barzinho. No proscênio à esquerda, uma
mesinha com duas cadeiras, enfeitadas com papel crepom etc. No
proscênio, à direita está uma outra mesinha com o mesmo enfeite. O
toalete masculino fica atrás da rotunda, do lado esquerdo e o feminino,
do lado direito. A decoração do salão fica a cargo do cenógrafo e do
diretor. Na rotunda branca, desde que inicia o espetáculo, deverão ser
projetadas “sombras chinesas” para as entradas e saídas de personagens
e outras cenas que ocorrerão através das sombras. Na iluminação, um
globo central, um “strobo”, luz de néon e luz negra e se possível, toda
a iluminação que um salão de baile possa ter. O espetáculo,
obrigatoriamente, terá que ser bastante colorido.
PRÓLOGO
O pano se abre lentamente revelando um luxuoso salão de baile. Uma luz
de néon ilumina a cena e revela a entrada de vários casais, que formam
um círculo em torno da pista de dança. A MOÇA é a única que está sem
par. Ela está no topo da escada e olha para todos, com muita tristeza.
Todos estão congelados. Ouve-se no áudio a voz de um locutor, que faz a
abertura do baile. LOCUTOR - (EM “OFF”) Quando subimos ao palco, em
trajes de festa, o coração bate mais forte. Tremor generalizado
invadindo o corpo, platéia aplaudindo nossa conquista. Talvez o
nervosismo nos domine, e não saibamos a maravilhosa magia do momento
sublime do qual nos aproximamos. Mas um dia iremos recordar e tudo será
vivido como se estivesse acontecendo novamente. E nos iremos sentir
mais completos, mais inteiros, como hoje. Ouve-se
no áudio a introdução da valsa “Danúbio Azul”. Luz sobe em resistência.
Os casais descongelam e começam a dançar. Primeiro se movimentam em
círculo, depois se espalham pela a pista, dançando a sua maneira.
Parecem flutuar. A MOÇA soluça e segura o choro. Todos os meninos
e meninas estão vestidos elegantemente, exceto A MOÇA, que está com um
vestido bem simples, dando um grande contraste com os vestidos das
outras. O RAPAZ é um tremendo pé-de-valsa, e faz par com a IRMÃ DA
MOÇA. Outros pares são: 2.º RAPAZ e 2.ª MOÇA; 3.º RAPAZ e
3.ª MOÇA e o 4.º RAPAZ que está no balcão junto com o BARMAN. Este ao
ver A MOÇA chateada se aproxima dela e convida-a para dançar com ele.
Ela não aceita, pois só tem olhos para o RAPAZ, que está com sua irmã.
O 4.º RAPAZ volta para o balcão. A valsa chega ao fim.
CENA 1
Imediatamente ouve-se o som de um rock’n’roll. Os casais deixam o
formalismo da valsa e dançam animadamente. O espetáculo não deve ter,
em hipótese alguma, coreografias marcadinhas, pois em um baile de
formatura tudo é mais solto e espontâneo. Cada um tem sua forma de
dançar. Ninguém está parado. Nessa cena, começa a estabelecer o
relacionamento das personagens e a personalidade de cada um. A MOÇA,
que assistiu do topo da escada toda a valsa, desce as escadas e caminha
até uma mesinha bem afastada. Senta-se e chama o BARMAN. Este atende o
seu pedido e vai até sua mesa. Ela pede um refrigerante pra ele, que
vai até o barzinho buscar. Nesse momento, O RAPAZ tira um
cigarro do bolso e o acende. A MOÇA não tira os olhos dele. Este se
aproxima dela e utiliza o cinzeiro de sua mesa, mas antes de jogar a
cinza, solta toda a fumaça na cara dela. Ela começa a tossir e abana a
fumaça que se alojou ali. O RAPAZ sai de perto dela e volta a dançar
com sua IRMÃ. Como ele sabe da paixão da MOÇA para com ele, começa a
usar a IRMÃ da mesma, para lhe provocar ciúmes. A IRMÃ, quando percebe
que O RAPAZ está de olho em sua irmã, segura em seu queixo e faz com
que ele a olhe e não dê atenção à outra. O BARMAN se aproxima da
mesa da MOÇA com uma bandeja trazendo o refrigerante. Quando este
segura na garrafa para colocá-la na mesa, O RAPAZ vira a IRMÃ para a
direção de onde ele está e dá um forte empurrão nela, que bate no
BARMAN. Este se atrapalha e derruba todo o conteúdo existente na
garrafa no vestido da MOÇA, que reage, incomodada. O BARMAN pede
desculpas pelo acidente, enquanto A IRMÃ e O RAPAZ se afastam, zombando
dela e voltando a dançar. Ao chegarem na pista, ambos se agarram. A
MOÇA fica olhando para o vestido manchado e para O RAPAZ e sua IRMÃ,
enquanto O BARMAN lhe traz um pano úmido e entrega para a garota, que o
limpa rapidamente. Mas a mancha não sai. Ela decide ir até o toalete.
No meio do caminho, ela passa pelo RAPAZ. Este, quando percebe que ela
se aproxima, coloca o pé na frente e ela, que está muito preocupada com
o seu vestido, não vê o que ele fez, tropeça em seu pé e cai no chão.
Todos olhos e fazem um ruído como: “Eêêêêêêê!!!!!”, por exemplo, exceto
o 4.º RAPAZ, que se aproxima dela e ajuda-a se levantar. Ela está
vermelha, de tanta vergonha, muda de idéia e volta para a mesa. O 4.º
RAPAZ , percebendo que a garota quer ficar sozinha, caminha até uma
mesa, que está em outro extremo do palco e senta-se nela, sem tirar os
olhos da MOÇA.
CENA 3
O
rock’n’roll agora dá lugar para uma música lenta. A IRMÃ da MOÇA
continua dançando com O RAPAZ. O 2.º RAPAZ com a 2.ª MOÇA, a
fogosa, que aproveita a ocasião da lenta para “meter a mão na massa
muscular” dele. Ele, como não é bobo, faz o mesmo. O 3.º RAPAZ com a
3.ª MOÇA. Esta pede licença para ele e pára de dançar um pouco. Vai com
ele até o barzinho e pede para O BARMAN duas latinhas de cerveja.
Ambos vão dançar na pista e começam a beber enquanto dançam. A música
permite um forte clima entre os casais. A MOÇA e o 4.º RAPAZ
são os únicos que estão parados e sentados. O 4.º RAPAZ observa A MOÇA,
que olha para O RAPAZ e sua IRMÃ dançando coladinhos na pista. Este,
quando percebe que a garota o olha, para lhe deixar enciumada, pega a
IRMÃ e beija-lhe. A MOÇA, ao ver a cena, pega o enfeite da mesa,
esmaga-o e o atira longe. Abaixa a cabeça e chora baixinho. O 4.º
RAPAZ se aproxima da mesa dela cautelosamente e coloca a mão em sua
cabeça, depois com a outra mão, levanta seu queixo e vê seu rosto
coberto de lágrimas. A MOÇA tira seus óculos que embaçaram e os
deposita sobre a mesinha. O 4.º RAPAZ tira do bolso da camisa um lenço
e enxuga seus olhos, sorrindo para ela. Ela retribui ao sorriso, mas
ainda seu semblante está melancólico. Ele se afasta e lhe estende a
mão, convidando-a para dançar. Ela não quer, mas ele não desiste. Tenta
novamente; nada. Só na terceira tentativa consegue convencê-la. Ela
caminha com ele para a pista, toda desengonçada e, quando ele a põe na
posição de dança, ela pisa em seu pé. Decepcionada consigo própria, vai
voltar para sua mesa, mas ele a impede e se mostra dócil e atencioso.
Ele vai ensinando-lhe os passos. Aos poucos ela vai pegando os
movimentos até entrar em sincronia com ele. Dançam, mas ela não tira os
olhos do RAPAZ. A lenta cessa.
CENA 4
Um “twist” dos anos 50 quebra o clima da cena anterior. A 2.ª MOÇA e O
2.º RAPAZ dançam animadamente. A 3.ª MOÇA com O 3.º RAPAZ deixam a
pista e vão novamente para o bar pegar uma outra latinha de cerveja. A
garota toma um grande gole. Já está um pouco “tocada” pelo efeito do
álcool. A MOÇA e o 4.º RAPAZ também deixam a pista e caminham até
a mesa. O RAPAZ e A IRMÃ DA MOÇA também deixam a pista e vão sentar-se
em uma outra mesinha. A MOÇA pega os óculos e quando vai colocá-los, O
4.º RAPAZ tira-os de suas mãos e os coloca no bolso de sua
camisa. Pede licença para ela e vai até o toalete, deixando-a sozinha.
O RAPAZ a olha, um pouco enciumado. A IRMÃ, ao perceber que ele não
tira os olhos da MOÇA, começa a discutir com ele. Essa discussão vai
aumentando gradativamente. No auge da revolta, ela quebra um copo e sai
furiosa, deixando-o sozinho. A 2.ª MOÇA e O 2.º RAPAZ olham para
A MOÇA de um lado e O RAPAZ do outro, e planejam algo. Riem
bastante. Aproximam-se do RAPAZ e o cumprimentam. Botam o plano em
prática. Fazem uma aposta, dizendo, através de gestos, que se O RAPAZ
beijar A MOÇA, eles darão todo o dinheiro que tem. Retira do bolso da
calça um maço de dinheiro e o coloca em cima da mesa. Caso
contrário, O RAPAZ tem que pagar para eles; e o pagamento é o
relógio de ouro que tem no pulso. Este tira o relógio e o deposita na
mesa junto com o maço de dinheiro. Apertam as mãos e a 2.ª MOÇA corta a
aposta. O casal fica na mesa, enquanto O RAPAZ se aproxima da
MOÇA. Música “Only You” na caixa. Com pose de galã, ele se aproxima
dela e convida-a para ser sua parceira. Ela aceita no ato e não
acredita que isto esteja acontecendo realmente. Ambos vão para a pista.
Ela treme. Começam a dançar. O RAPAZ olha para o casal que a tudo
observa e diz através de gestos que a aposta está no papo. O casal ri
da situação. O RAPAZ olha para ela, fecha os olhos e a beija. Ela
vibra. O beijo é prolongado. O casal se desespera. O 2.º RAPAZ se
despede de seu dinheiro. Enquanto se beijam, O 4.º RAPAZ chega do
toalete radiante e ao ver a cena, muda radicalmente. Caminha até o bar
e pede uma bebida forte ao BARMAN e vira o copo num só gole. Vai até a
mesa e reage frustrado. Na pista, O RAPAZ corta o beijo
abruptamente e empurra A MOÇA. Depois debocha na cara da mesma e
cospe no chão, limpando a boca com as mãos, logo em seguida. A garota
fica sem entender nada. O RAPAZ vai até a mesa e pega o seu relógio e
todo o dinheiro do 2.º RAPAZ e faz cara de vencedor. A MOÇA, ao
perceber que foi feita de boba, se aproxima do RAPAZ que está indo para
o barzinho “torrar a grana”, com pinta de cafajeste e lhe acerta uma
violenta bofetada. Ele vai revidar. Ergue a mão para batê-la, mas O 4.º
RAPAZ o impede, segurando seu braço com toda a força. Ambos se olham
com ódio. Congelam. Luz baixa em resistência, ficando somente a luz
néon.
CENA 5
Luz sobe em resistência.
O clima tenso da cena anterior é quebrado com a música “In the Mood”. O
RAPAZ sai de perto da MOÇA e do 4.º RAPAZ e vai até o bar comprar
bebida, enquanto o casal sai de cena. A 3.ª MOÇA, que no decorrer
dessas cenas não parou de beber um minuto sequer, passa mal, põe a mão
na boca e vai para o toalete vomitar, deixando o 3.º RAPAZ sozinho.
Este dança sozinho num canto. Na pista estão somente A 2.ª MOÇA e
o 2.º RAPAZ, dançando. Ela puxa a gravata do garoto e o leva para o
toalete feminino, que fica atrás da rotunda. Ambos se agarram e a
platéia só vê a cena através da “sombra chinesa”. Ela desabotoa sua
camisa e fica se esfregando nele. A 3.ª MOÇA quando sai do banheiro, ao
ver a cena, fica aterrorizada com a cena e grita. Corre para a pista e
tampa os olhos com as mãos. O 3.º RAPAZ vem acudi-la. O 2.º RAPAZ sai
de trás da rotunda, com o cabelo todo despenteado, com a camisa aberta
e cheia de batom e com as calças abertas. Desce as escadas e vem até o
centro para se arrumar. Atrás dele vem a 2.ª MOÇA, com muito calor, se
abanando e torna levá-lo para o mesmo lugar. Cena de repetição, só
que agora ambos simulam o ato sexual. Ele retorna, todo suado.
Arruma-se. Ela volta, com a boca toda borrada de batom e tenta levá-lo
novamente para lá. Ele se recusa, pois está esgotado. Ambos se sentam.
Ela começa a olhar para o BARMAN e fica paquerando-o. CENA 6
Ouve-se uma música qualquer. A 2.ª MOÇA diz para o 2.º RAPAZ que vai
tomar algo no bar, deixando-o sozinho. Ele fica se arrumando, enquanto
ela entra no barzinho do BARMAN. Pega uma cadeira e sobe para pegar a
bebida desejada, empinando as nádegas para ele, que fica olhando para
elas, com os olhos esbugalhados. Ela desce da cadeira e agarra o jovem
BARMAN, levando-o debaixo do balcão. O RAPAZ chama a 3.ª MOÇA para
dançar com ele, pois o 3.º RAPAZ foi tomar um ar, lá fora do clube. Ela
aceita. Ela está agora bem mais embriagada e perde o equilíbrio várias
vezes e não pára de rir. O BARMAN levanta-se e aparece atrás do balcão,
mas a 2.ª MOÇA puxa-o de volta para ela. O 2.º RAPAZ quando sente
a falta da parceira, vai procurá-la no bar e se assusta quando ela se
levanta de trás do balcão e sorri para ele, um sorriso amarelo. Pouco
depois, é o BARMAN, que se levanta e se arruma. O 2.º RAPAZ
certificando-se que foi traído e com um gesto único, diz: “me ferrei”,
e vai se sentar. Nesse momento aparece a IRMÃ DA MOÇA junto com o
3.º RAPAZ. Esta fica furiosa ao ver O RAPAZ dançando com a 3.ª MOÇA. O
3.º RAPAZ reage da mesma maneira. Ambos sentam-se e começam a tramar
uma vingança contra O RAPAZ. Atrás da rotunda, em “sombra
chinesa”, está A MOÇA e o 4.º RAPAZ. Este solta os cabelos da garota e
vai lhe ensinando os passos da música. Ela pega os movimentos com muito
mais desenvoltura e coordenação. A música chega ao fim. Inicia uma
outra, do mesmo estilo, só que mais agitada. A MOÇA e o 4.º RAPAZ
entram correndo na pista. Ela está totalmente transformada. Está com um
vestido preto maravilhoso. Agora as outras meninas que perderam o
brilho para ela. Está belíssima. Ninguém acredita no que vê. Ninguém
imaginou que aquele “patinho-feio” se transformasse num “belo
cisne”.Ambos dão um show na pista. Todos os olhares estão voltados
para ela, inclusive os olhos do RAPAZ, que fica boquiaberto ao vê-la
transformada. O BARMAN e a 2.ª MOÇA saem de trás do balcão e vão dançar
também. O RAPAZ vai se aproximar da IRMÃ DA MOÇA. Tenta conversar com
ela, mas o 3.º RAPAZ o encara feio e ela o esnoba. O RAPAZ fica com
cara de tacho enquanto a IRMÃ DA MOÇA sai acompanhada com o novo
parceiro.
CENA 7
Música carnavalesca.
A alegria é geral. A MOÇA perdeu de vez a timidez e dança pra valer. A
3.ª MOÇA está completamente bêbada, tenta pegar os passinhos dos outros
e cambaleia, caindo no chão. Todos fazem dela um “joão-bobo”. Ela
rodopia para todos os lados e capota. O grupo se une, fazendo trenzinho
e passa por cima dela, que tenta se levantar. Todos estão
empolgadíssimos. Brincam, pulam um por cima do outro, sambam. A
IRMÃ DA MOÇA e o 3.º RAPAZ aparecem na abertura da rotunda e ficam
encarando O RAPAZ, que está fumando num canto. Ela acena a cabeça
afirmativamente para ele, como quem diz: “agora é o momento de
agir”. O 3.º RAPAZ sai. Ouve-se em off um assobio. Logo em
seguida ele volta, acompanhado por mais SEIS RAPAZES, todos
mal-encarados e completamente drogados. Ficam ali observando tudo. A
IRMÃ DA MOÇA aponta para O RAPAZ. As meninas, ao notarem a presença dos
“penetras” caminham até o barzinho e ficam espiando amedrontadas. O 2.º
e o 4.º RAPAZ percebem que algo está errado e chamam O RAPAZ para ficar
perto deles. O RAPAZ, nem percebe que está sendo observado e atende ao
pedido dos colegas, indo na direção deles. No meio do
percurso, os SEIS RAPAZES e O 3.º RAPAZ o cercam e começam a batê-lo
com fúria. Quando iniciar a briga, somente o “strobo” deverá ficar
ligado, piscando e deixando a cena em câmera lenta. A MOÇA ao ver
O RAPAZ apanhando, começa a gritar desesperadamente e quer apartar a
briga, mas outras meninas a impedem, segurando-a bem firme. A 3.ª
MOÇA, muito alcoolizada, se diverte e grita: “Porrada! Porrada!
Porrada!!!”. O 2.º e o 4.º RAPAZ entram no meio da briga e
tenta separá-los. Um dos “penetras” aponta um punhal para eles, mas O
4.º RAPAZ chuta a mão deste e o punhal vai parar do outro lado do
salão. Todos, exceto as meninas e o BARMAN, que as protege, entram na
briga. A pancadaria é geral. O RAPAZ perde os sentidos e continua
apanhando. Além de baterem no RAPAZ, os “penetras” quebram mesas,
copos, jogam cadeiras no chão, xingam, dizem palavrões. Ouve-se em um
alto volume o som de uma sirene de polícia. Os “invasores” saem e
deixam O RAPAZ estendido no chão com a boca e o nariz ensangüentados.
Aos poucos vai recuperando os sentidos. A IRMÃ DA MOÇA e o 3.º
RAPAZ se aproximam dele. A menina sorri diabolicamente para ele,
enquanto que o 3.º RAPAZ lhe chuta e cospe em sua cara. Ambos
ficam de mãos dadas e saem de cena sem olhar para ninguém, imponentes.
EPÍLOGO
Acalmada a confusão, A MOÇA se aproxima do RAPAZ e se ajoelha do seu
lado. Põe a cabeça dele em seu colo, enquanto o BARMAN lhe traz um pano
úmido. Ela começa a limpar o sangue do rosto dele, que se contorce de
dor. O BARMAN vai arrumando o estrago feito pelos “penetras”. Depois de
tudo arrumado, pega a 3.ª MOÇA que está “miando”, gargalhando e fazendo
caretas num canto e leva-a embora dali. A 2.ª MOÇA e o 2.º RAPAZ
fazem as pazes e vão para a pista dançar a última lenta. O 4.º RAPAZ
fica no bar observando tudo. A MOÇA leva o RAPAZ até uma cadeira e faz
com que ele sente. A 2.ª MOÇA e o 2.º RAPAZ param de dançar e
saem de cena de mãos dadas, olhando tristemente para o ambiente. O
RAPAZ lentamente, caminha até a pista, mancando um pouco e estende as
mãos para ela, convidando-a para dançar. O 4.º RAPAZ repete o mesmo
gesto, mas A MOÇA, como uma hipnotizada, caminha em direção do RAPAZ,
deixando o outro. Ele, desolado, ao ver a pessoa amada nos braços de
outro homem, vai saindo. Antes de sair, torna a olhar para eles. Chora
muito ainda guarda uma esperança e fica esperando, olhando para eles. O
RAPAZ abraça carinhosamente A MOÇA. Ambos se olham e se entregam num
longo e apaixonado beijo. O 4.º RAPAZ ao ver isso, sai, agora
totalmente desiludido com tudo. De repente, surge na mente da MOÇA
tudo o que O RAPAZ aprontou pra ela. As imagens aparecem numa seqüência
fragmentada e não-linear, mas com um grande significado. Ela corta o
beijo. Ambos ficam se fitando, calados. No áudio ouve-se a voz de ambos. RAPAZ - (“OFF”) Eu quero namorar você. MOÇA - (“OFF”. DEPOIS DE UMA PAUSA) Não. RAPAZ - (“OFF”) Por quê não? Você sempre foi apaixonada por mim... MOÇA
- (“OFF”) Pois é. Fui. Não sou mais. Você brincou comigo, zombou dos
meus sentimentos e mesmo assim eu continuei apaixonada por você... Não,
eu não quero namorar você. Continuaremos amigos, se você quiser...
Agora, namorados... um dia... quem sabe no próximo baile...
Ambos se abraçam e se olham por um longo tempo. Viram-se de costas para
o público, sobem as escadas e quando chegam no topo dela, se olham
novamente e saem do salão, entrando pela abertura da rotunda. Ambos
saem por lados opostos e a “sombra chinesa” novamente desenha essas
figuras, que seguem seu caminho sem olhar para trás; um de costas para
o outro. Luz desce em resistência. Somente o globo permanece girando,
deixando no ar um clima de melancolia. Black-out. Luz sobe em
resistência e os atores entram para os agradecimentos completamente
felizes. Cativam a platéia, pegam o público para dançar e se
confraternizam numa grande comunhão até deixarem a cena. O pano se
fecha.
FIM
Esta obra está
licenciada sob uma
Licença
Creative Commons
|
|
|
|
|
|

|
|
|
|