Paredes descascadas
Alessandro Bartel
paredes descascadas
cheiro de mofo no ar
poeira sobre móveis velhos
velhos mórbidos sobre a cama
com esperança escorrendo pelas mãos
ando por aí percebendo que
as ruas já não são as mesmas
e que ninguém, dos meus velhos amigos, está por aí
casaram
morreram
mudaram
sumiram
só eu fiquei
fiquei para ver as coisas mudarem
fiquei para ver o estrago do tempo
estrago sobre os móveis
sobre as pessoas
estragos que fiz e que deixei que fizessem
fiquei até o ponto que deu
agora chegou a hora
de partir
é hora de esvaziar
a gaveta
o armário
a alma
despir-se de todo o sentimento
partir vazio
para novamente me encher de tudo
e se houver tempo
mais uma vez jogar tudo fora
e novamente me tornar vazio
até reconhecer que chegou o
fim.
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