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Ao cumprir missões
Angela Oiticica
Ao cumprir missões, quem não tem, caça com o que acha
?Me perco nessa névoa pachorrenta de fumaças... Os opiatos eram
mornos e sopravam as cinzas da alma...?
?Sabes? Parece um anômalo gotejar de sangue, esses recreios, que
falam por aí...?
?Quais recreios? Estou a te falar de ópio e seus cachimbos
enigmáticos, suas fugas excêntricas... e não de nuvens farsantes de
heroína. De ópio puro, quando cativa a alma.?
Ia bem mesmo o papo ali em frente, ele busca ópio, eu isso e mais
carteiras. Acho que me sentarei mais perto do casal, a conversa me
apetece, qual uma canção. De repente, a carteira cheia que tanto
busco, entrará aqui no bar.
Ilusão minha, que uma carteira virá a esta freguesia. Ando meio
tonto ultimamente.
Arquiteto pequenas romarias a bolsos perdidos no meio das ruas. Já
pensei, em ir a um bom Banco e transformar meus sonhos em um lago de
cisnes patinadores.
O bonde aguarda paciente minha chegada em sua última rodada da noite.
Finalmente o casal levantou do bar e foi buscar flores, numa florista
em outra esquina.
Silencioso, sai em busca da carteira. Hoje os fregueses de meus ágeis
dedos, estavam taciturnos, bolsos vazios. Deve de ser mais uma das
crises que tanto falam.
Volto, com uma pequena beata que achei na rua, perdida, sem amargura. A
maconha também trará algum efeito, não como o ópio, com toda
certeza.
As luzes tremem no campo vazio àquela hora da noite. Aguardo uma nave
que me leve de volta para casa.
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