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REVISTA LASANHA
De se lamber os textos...

 
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Heloisa Galves
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Heloisa Galves é criadora e proprietária da marca Alemdalenda. Autora e Ilustradora de livros infantis e ocultismo pela Melhoramentos, Global, Abril Jovem, Maltese, Outras Palavras e Alemdalenda Editorial. É também consultora editorial da Editora Gaia.

Participa atualmente de três antologias e escreve mensalmente para a revista eletrônica; A Garganta da Serpente.

Recentemente, depois de trabalhar entre Espanha-Brasil, escreveu seu primeiro romance a ser editado em breve. É formada em comunicação social e visual; Faap/Mackenzie.  

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Ordinário
Heloisa Galves

As coisas ordinárias sempre me pareceram ordinárias, chamo de ordinário, as coisas comuns, como uma gaveta arrumada, uma mulher só bonita, um homem machista, TV ligada durante o dia, fazer o mesmo todo dia, rir de uma piada besta pra agradar o locutor, adorar uma tragédia, usar roupas da moda, trabalhar o dia todo e não ficar rico nunca. Ah...Mas são tantas coisas ordinárias nessa vida que muitas vezes me pergunto o que estou fazendo por aqui. Fazer supermercado e olhar os precinhos de cada produto  me causa ânsia., não porque eu possa comprar tudo, porque não posso, mas causa. Almoçar no mesmo horário e temperar uma salada me desespera,  ter que arrumar a cama, pegar ônibus, por pijama. E guarda-chuva então. Não há nada que me irrite mais que pessoas que têm o costume de usar guarda-chuva. Tomar chuva é tão bom, não é ordinário. Ordinário é ler “o segredo” e achar que agora a vida vai mudar. Ordinário é reclamar de todo mundo, quando a gente que tem que mudar. Ordinário é sonhar e não buscar, é amar e não roubar um beijo, é viver na laje da vida e nunca saltar. Ordinário é não chegar no mar, por nojo da areia, é não acreditar em saci nem em  sereia, é rir da desgraça alheia. Ordinário é seguir o rebanho, ficar em fila de banco, nunca ter dado barraco na rua, ordinário é fazer deposito na reza, é palitar os dentes na mesa, ordinário é não saber amar como se deve, nunca cometer loucuras obscenas, ordinário é ser sempre platéia. Ordinário é ficar velho sem ter histórias pra contar, não meia dúzia, mas centenas, porque a vida só não é ordinária, quando a gente fala o que pensa, e isso causa tanta fúria por aí, que ah, como vale a pena...

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