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Escritor e possível homem-bomba, mora em Cubatão-SP. Atualmente escreve um romance que não acaba nunca...
Autor dos livros : Me enterrem com minha AR 15 ( Dulcinéia Catadora, no prelo) e atualmente trabalha no projeto musical Comando Lírico Glacial'. |
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Dois filmes e um livro
Marcelo Ariel
DOIS FILMES:
A VIDA DOS OUTROS
A burocracia-morte não cancela todas as irradiações do humano, que continuam a agir, apesar do turbilhão de desintegração que move o que chamamos hoje de forças do mercado, mesmo quando o apego aos acordes ideológicos do controle o renomeiam. Este ótimo filme é a história de uma amizade construída nas brechas do sensível. Apesar do nosso véu de cordialidade ( Ver o equívoco de Sérgio Buarque de Hollanda), nós somos hedonistas viciados na burocratização de tudo, principalmente do afeto, pensava nisto enquanto via o filme pela segunda vez.
4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS
'4 meses, 3 semanas e 2 dias' do romeno Cristian Murgiu é no fundo um filme sobre a falência dos códigos da comunicatividade afetiva, falência provocada pelo egoísmo, essa couraça onde alguns cultivam um buraco negro de estimação que suga o outro até não sobrar nada dele, a não ser o silêncio que separa dentro do poço fundo da solidão. O filme realiza uma engenhosa costura de metáforas da escuridão desse poço sem fundo através das imagens assustadoras das ruas escuras da Romênia e metáforas das relações de poder do afeto vampirizante ao captar a aura interiorizada na paisagem da ditadura de Ceacescu. O problema é que ditaduras caem e o abismo das afetividades sugadoras vive hoje seu apogeu, as Gabitas estão em toda parte.
UM LIVRO:
51 MENDICANTOS DE PAULO DE TOLEDO (EDITORA ÉBLIS)
Há um fio que passa por Oswald, chega em Cacaso e em Chacal e desemboca em Paulo de Toledo, o fio do poema como um flash do em volta.
Neste livro Paulo escolhe ( ou é escohido) pelos mendigos em volta, o curioso é que alguns poemas apesar do aparentemente irremediável e triste do tema,possuem a energia e a inesperada leveza de um cartun e outros um tipo de humor que lembra em muitos momentos um cruzamento de Bashô com Monthy Phyton.
Me abstenho de fazer aqui análises semânticas ou qualquer outra tentativa de empalhamento , o que posso acrescentar é que a leitura do livro foi muito divertida, leitura , álias, que fiz dentro de um ônibus lotado e que depois foi completada sentado em uma praça cercado pelos mendigos "dos poemas" como se estivese lendo o roteiro de um filme dentro do filme.
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