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REVISTA LASANHA
De se lamber os textos...

 
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Príapo
Natanael
     Príapo verifica as rodas, a gasolina, o óleo, enfim, cuida em ver se o caminhão aguentará o repuxo para a próxima viagem.
     Olha ao redor, sem constrangimento. Tivesse alguém olhando, esguicharia, conforme o pretendido.
     Está apertado. Abre a braguilha. O zíper engancha. O sangue aponta na glande.
     Vai até a cabine. Um pano, que não percebe embebido em gasolina, traz mais dor.
     Vai ao banheiro. Abre o chuveiro. Água quente ferve ainda mais seu grito calado.
     Eu o observo. Chamam-me de devorador, alguns. Outros, apenas, de narrador. Quanto a mim, não sei do que chamar-me. Não tenho memória larga. O momento, o que mais me marca.
     Príapo, após algumas horas, serenadas as angústias corporais, resolve partir.
     Em minha cabeça, todas as vozes antecipam o que ele fará. Não posso impedir muita coisa. Tenho a minha hora própria para atuar.
     Vejo tudo em minha mente. Daqui a pouco, estará aqui.
     Após passar por duas pontes, na beirada de uma delas, vê alguém pedindo carona. Pára. Uma cabritinha sobe os degraus e se ajeita.
     Ela lhe agradece. Uma cabritinha bem criada. Quatro patas sólidas, pêlo luzido e com um cheiro incomum em animaizinhos como ela.
     Depois de umas duas horas, resolve parar pra ir tirar água dos joelhos.
     Ela desce junto, mas vai à frente. Ele observa o rebolado animal, o furinho acendendo e apagando.
     Entram no mesmo banheiro. Ele, mais que depressa, coloca o membro pra fora. Alívio, quando todo líquido se escoa.
     Quando vai guardar, um berro sutil povoa o ambiente. A cabra colocara a língua pra fora. Uma língua longa e viscosa. Tão longa que num minuto envolve-lhe o saco escrotal. Parecia uma puta experiente nos matos do mundo. Ele força a cabeça e o focinho da gulosa, num amplo movimento de ida e volta.
     Enquanto é engolido, observa o rabo da cabrita num balanço de volúpia. Sente vontade de virá-la, antes que o gozo se cumpra.
     Porém, ela mesmo oferece-lhe a entrada suculenta. Todavia, é só Príapo encostar e o banheiro todo se inunda de esperma.
     Na inundação, a cabritinha morre e sou obrigado a cumprir meu dever.
     Com uma gilete, rasgo a história em quadrinhos, com todo cuidado, procurando retirar Príapo do papel. Sinto sua dor e dela me alimento, como todos os dias em que reinvento seu retalhar.

 

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