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Bajo |
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| Beatriz
Bajo poeta, bacharel em
Letras e especialista em Literatura Brasileira, vive em Londrina-PR.
Nasceu em São Paulo, mas foi no Rio de Janeiro, onde começou a esboçar seus primeiros poemas.
Integrante da Associação
dos Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (APPERJ) e do
Coletivo Subverso oficina de poesia Jorge Warderley, na UERJ.
Publicações nas revistas Germina, Cronópios e Desfolhar, além de ter
seu poema Sempre estivemos premiado em antologia
poética. |
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Árvore branca
Beatriz Bajo ...é
ao caminhar que se catam pedaços de vida. Como se na quietude do passo,
aproxima-se a um espaço ainda não percorrido para dentro. Quanto mais
se anda mais se entra. Mas não me dava conta disso ao praticar a
flânerie de meus anseios de mais vida. Era uma busca pelo corpo
saudável para purgar a nicotina das noites em tragos. Sete voltas pelo
aeroporto assim como quisera pisar numa asa por descuido para que os
pés chegassem, acaso, onde sempre esteve minha cabeça. Quiçá o objetivo
fosse, realmente, esse de cuidar por um equilíbrio insano de lançar-me
aos céus inteira e comungar com sonhos de pássaros. No entanto, não dei
por esse juízo e permanecia às voltas, como um cão, atrás do meu rabo
para que pudesse dirigir com habilidade minha fantasia de vôo.
Acompanha-me sempre a maternidade porque necessito do pertencimento em
meio à orfandade da rua para tornar-me mais complacente e
misericordiosa. Também para religar-me à eterna gravidez das calçadas.
E assim caminho à margem. Testemunha ocular de sempre em redoma com meu
passo à beira. E dessa vez em que tropeçava em minhas nodosas raízes, a
árvore branca me encontrou. Branco o meu desejo de tarde grisalha.
Retrato de nuvem. Brincava de nevar comigo em pálido sorriso, quase
líquido. Babava em pétalas. Distraía-me de encostar meus pés ao chão.
Vacilava de terra pisando em pedaços de seu leite floral. Escarnecia-me
quebrar galhos sem rimas em nossa conversa ramificada. Um pano de fundo
enciumado se rompeu em antiga lágrima que me grita. A flor branca
entrou sob os tênis de pés apressados em não ver. No terceiro passo,
virei-me na tentativa de adiar a partida ou — quem soube? — despedir e
voltar ao entorno. Não a enxerguei. Porventura jamais a alcançaria
novamente. Um poste, uma nuvem, talvez um desejo.
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