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F |
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Paulo F. nasceu
em São Paulo em 1980, escreveu diversas peças teatrais, roteiros,
contos e um romance. É formado em Roteiro e Produção Editorial. É um
dos idealizadores da MURO. Lançou em 2005 o livro de contos "Sobre o
Infinitivo" e em 2007 lançou o MOJO Book - Belle & Sebastian -
Life
Pursuit e escreveu e dirigiu a peça teatral "Algo no jeito como ela se
move". Quer a vida que todo mundo pediu a Deus
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A lua e a sarjeta
Paulo F
Há
quem acredite na vida. Há quem acredite na noite. Ela estava lá.
Branca, nuca, indefectível. Me olhava do alto, altiva. Oferecia sua
claridade mas a escuridão dela se bebia sem deixar nada para mim.
Trançando as pernas seguia pelo beco. Janelas, postes, lâmpadas
tornando-se três. Girando em torno de si mesmas. O mundo girando em
torno de minha cabeça. Sem direção. Um cachorro malandro imundo perdido
no mundo. Um amante calmo procurando uma musa. Uma gota de algo, que
não seja água, se espatifando no chão da realidade. Te olho e você me
ignora. São três, girando ao redor de si mesmas, e seis e noves fora.
Belo. Atiro a garrafa em sua direção. Jack Daniels puro estilhaçado no
chão. A perna cede o joelho dói. Não há mais ruas como essa na cidade.
Minha agonia. O resto é asfalto, o poeta já dizia. A pedra é dura, não
rala e meus braços reclamam mas não sangram. Sobra o filete de água
verde correndo ao meu lado. Barulhenta como ondas, veloz como um rio,
plácida como um lago. E Jack Daniel rastejando e mergulhando. Observo o
encontro. O verde e o ouro. Do alto, o leite, uma gota branca vindo da
lua de meus olhos e acerto o exato ponto de encontro. E a lua de
verdade lá. Branca como P.J. Harvey. Abaixo a cabeça. And we float.
Esta obra está
licenciada sob umaLicença Creative Commons
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